Data: 11/12/2013
Acordamos cedo.
O relógio marcava 03h:10. Preparado o café, a água do chimarrão, pegamos as
últimas coisinhas, pois o carro já estava com a bagagem que arrumamos no dia
anterior, e embarcamos. O odômetro marcava 250.395km. Queríamos que a
viagem rendesse e a ideia era percorrer algo em torno de 1.000km e dormir
próximo a Corrientes, já na Argentina.
Esse trecho tem
coisas interessantes para se admirar. As Cataratas do Iguaçu, considerada uma
das 7 maravilhas naturais do mundo e,
recomendamos, as ruínas jesuíticas, próximo de Posadas.
Curiosidade - Além de ter uma
beleza arquitetônica considerável, as reduções dessa região tem uma ligação histórica
com o Brasil. A mais interessante é a de San Ignácio, por um motivo muito
especial: essa redução jesuítica foi fundada pelo mesmo pessoal (religiosos e
índios) que estavam assentados na redução jesuítica de Santo Inácio nas margens
do rio Paranapanema, entre os estados do Paraná e São Paulo, onde hoje está a cidade de Santo Inácio no Paraná. Com a crise na relação da Coroa
Portuguesa com a Espanhola, que dividiam o poderio na América Latina e a
chegada das Entradas e Bandeiras (Bandeirantes), as quais muitas delas tinham
por objetivo a preação de índios para a escravidão, os moradores foram
acossados e fugiram em embarcações rio Paranapanema abaixo. Tomaram o rio
Paraná, transpuseram as Sete quedas (obviamente por terra por aqueles que
conseguiram “frear” as canoas nas corredeiras que antecipavam as Cataratas de
Sete Quedas), chegaram ao local e fundaram a Redução Jesuítica de San Ignácio Mini.
Quem não viu veja o filme “A Missão” (The Mision). (clique e veja foto das ruínas de uma viagem anterior)
Bem, resolvemos “pular” todos
esses atrativos, pois já conhecemos e fomos diversas vezes a San Ignacio, as
Cataratas do Iguaçu, do lado brasileiro, argentino e paraguaio... Opa!!! Espera
aí!! Cataratas no Paraguai??? ─ Siiii!,
cómo no?!, disse-nos um paraguaio em
uma conversa com amigos, e emendou ─ Ustedes
no conozcan La Catarata Norte????
Catarata Norte???, indaguei incrédulo. Siii, La Catarata de Itaipu, disse ele, referindo-se ao vertedouro
da Represa Bi-nacional de Itaipu. Se no
hay, nosotros hacemos, finalizou. Puxa vida, pensei eu, até isso eles “fabricam”!!!!
E essa com a ajuda de brasileiros que, também, não são fracos não!!!
Vale a pena
conhecer essa tal de “Catarata Norte”.
Voltando a
viagem. Chegamos a Foz do Iguaçu as 08h40, fizemos o câmbio de reais para pesos
argentinos, compramos uns dólares de reserva técnica, fizemos a Aduana e....
estrada!
Importante: não use o cartão de
crédito ou débito na Argentina!!!! Explico: com a crise financeira o Governo da
Argentina baixou uma série de medidas para evitar a saída (fuga) de dólares do
País. Assim, a compra de dólares no País, além de ficar extremamente
burocratizada, o câmbio oficial foi alterado e o dólar ficou muito caro. Se
você usa o cartão internacional de crédito ou débito a transformação de pesos
em dólares e depois em reais, que vai cair em sua fatura, é impraticável.
Exemplo: o Moreno esteve recentemente na Argentina, comprou pesos em uma casa
de câmbio no Brasil, pagou R$ 0,27 para 1,00 peso argentino. No câmbio do
cartão de crédito nas lojas estava a R$ 0,47 para cada peso argentino, mais IOF
e coisa e tal.... é fria!!! Nós fizemos a compra do peso a 0,28 reais. Na casa
de câmbio que tem dentro da Aduana Argentina o peso estava a R$ 0,40! Portanto
façam a compra de pesos em uma casa de câmbio na cidade de Foz do Iguaçu que tem
diversas lojas.. Nós fazemos na Scappini Câmbio e Turismo. (Depois desse
merchandising da próxima vez vou pedir
uma taxa de câmbio melhor).
Para se ter
ideia de preços, aqui vai o de combustível:
- Diesel – Nos postos
da YPF é o mais barato, acho que é até tabelado em P$ 7,970/l. Nas outras
bandeiras (Shell e Esso) varia de P$ 8,50 a 8,80
- Gasolina: entre
P$ 9,20 a 9,90.
Muito bem! Chegamos
a Las Toscas, perto de Reconquista na Província de Santa Fé, onde dormiremos. A
viagem rendeu, percorremos exatos 1.199km. As estradas estão muito boas e
vazias. Somente em grandes centros, como Posadas e Corrientes, é que fica um
pouco mais movimentado, mas sem engarrafamentos como no Brasil (veja trajeto).
Tomamos algumas
Quilmes e Scheneider e fomos jantar a tradicional parillada argentina. Aquela
que vem uma variada gama de carnes, muitas das quais entram na classificação de
“amadas ou odiadas”: costilla, vacio (fraudinha), riñones, tripa gorda, chorizo,
chincholim,... salada e pão. Estava maravilhosa e em um lugar muito acolhedor a
céu aberto.
Temperatura
amena, mas com projeção de calor muito forte.
Fomos descansar!
Hotel simples de beira de estrada: Hotel Mabero!