quarta-feira, 14 de maio de 2014

Rumo a Casa - Quebrada de Humauaca – A Maldição de Tilcara

Essa postagem será um pouco mais extensa, pois será a última dessa viagem fantástica e queremos que fique na primeira página do blog pois, como vocês verão, tem uma Curiosidade bastante interessante (pleonasmo?) que, apesar de antiga, é atualíssima. Vamos lá. Primeiro a notícia da viagem.
San Pedro de Atacama foi ficando para trás. Saímos cedinho, pois teríamos que subir novamente a quase 4.000m de altitude em direção ao Paso Jama. E o receio era o carro esquentar novamente. Mas nada de ruim aconteceu e chegamos tranquilamente na fronteira Chile-Argentina
Atualmente a Aduana do Chile e da Argentina se juntaram em Paso Jama. Anteriormente a Aduana Chilena ficava na cidade de San Pedro. Ficou bem melhor e mais ágil.
Fizemos uma viagem bem tranquila até Purmamarca, uma simpática cidadezinha encravada na Quebrada de Humauaca, onde seu atrativo principal é o Morro das Siete Colores. Mas tem muito mais. É um ponto de parada obrigatório para quem vai para San Pedro de Atacama.
Curiosidade – A Quebrada de Humauaca é uma região da Argentina muito especial. Inclusive por sua beleza e aspectos culturais é reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. Dá-se o nome de “quebrada” aos locais onde a cordilheira encontra os vales dos rios, formando uma transição entre áreas mais planas (vales dos rios) com as áreas mais montanhosas e acidentadas. Nessa espetacular região encontra-se a turística cidade de Tilcara, onde situa-se um importante sítio arqueológico de povos pré-colombianos e pré-incaicos, o Pucará de Tilcara, além de outras atrações, como o Jardim Botânico das Alturas, que possui uma coleção “in situ” de centenas de espécies de cactos. Além de ser uma cidade muito bacana que atrai milhares de turistas da Argentina, especialmente jovens, mochileiros e aventureiros de forma geral, no local ocorreu um fato bastante interessante que, para nós brasileiros (e de muitos outros países), tem uma torcida para que esse fato sempre permaneça vivo. O caso é o seguinte: por ocasião de preparação da seleção argentina de futebol para a Copa do Mundo do México em 1986 a cidade de Tilcara foi escolhida para sediar a fase preparatória de treinamentos da seleção, uma vez que ela possui características de clima (temperatura, umidade do ar...) e de altitude semelhantes ao local que a Argentina iria jogar no México. Para os moradores locais foi uma grande alegria e comemoração. Eles receberam a seleção com muita festa, mas também com muita dedicação. Foram construídos centros de treinamentos, academias, campos de futebol, enfim uma grande estrutura para que a seleção argentina bem se preparasse para a copa. A cidade acolheu a seleção de braços abertos e com muito fervor, característica que bem conhecemos dos “hermanos”, em especial a grande paixão que eles nutrem pelo futebol. Pois bem, ficaram várias semanas em treinamento intensivo e quando do retorno a Buenos Aires para embarque ao México, foi realizada uma grande solenidade de despedida com uma missa especialmente evocada para abençoar a seleção e os jogadores. Nesse dia, diante da Virgem de Copacabana Del Abra de Punta Corral, mais conhecida como Virgem de Tilcara, foi feita a promessa: se a seleção argentina fosse campeã do mundo ela retornaria a Tilcara para agradecer a bênção e comemorar com os moradores locais a grande conquista. E Eles foram campões. E eles não voltaram para agradecer a Virgem de Tilcara. E assim foi estabelecida a Maldição de Tilcara, que reza: “enquanto a seleção argentina não voltar a Tilcara para agradecer a bênção recebida, não será nunca mais campeã mundial”. Pelo que estou sabendo, até ontem eles não tinham ido. A Copa do Mundo do Brasil está chegando. Saldemos a Virgem de Tilcara, afinal é uma forte candidata e concorrente ao título que está fora de combate. Agora sim, fora de combate no “tapetão”!!... aquele, que vai da porta da igreja até o altar principal onde repousa placidamente a imagem da Nossa, Querida, Maravilhosa, Santa e Adorada Virgem de Tilcara.
Oremos!!
Muito bem, depois de orarmos e agradecermos a Virgem pela Maldição partimos (que coisa heim?! Agradecer alguém por uma maldição!!!! Mas sem problemas, o Superior da Virgem compreende perfeitamente. Dizem, até, que foi Ele quem sugeriu a punição!).
Nossa meta agora era chegar a Los Frentones (640km), local de parada estratégica descoberto pelo nosso amigo Giovanni Branco, que agora nos acompanhava com sua moto BMW e nos fazia sentir protegidos. Nesse lugar, no meio do Chaco Argentino, tem uma simpática pousada do Professor, que recebe a todos com uma saborosa parrillada.
Descansamos e no outro dia cedinho partimos em direção a San Ignacio (660 km), cidade que abriga as ruínas da Redução Jesuítica de San Ignacio Mini, já tratado em postagem anterior nesse blog (ver postagem de 12/12/2013 - Cataratas Paraguaia). Lá tem um simpático hostel da rede do Hostelling International, que vale a pena ficar. Econômico e bem estruturado.
Deu tempo de tomar umas Quilmes, tomar um banho de piscina e fazer uma parrillada de despedida, com bife de chorizo e vacío, que estavam um espetáculo. A noite na cidade tinha um desfile de carnaval que foi muito bacana, parecendo até os carnavais brasileiros.
Ainda tensos com o problema do veículo, noutro dia saímos cedo, pois a ideia era chegar ao fim da viagem: Prainha - São Francisco do Sul - SC, percorrendo mais de 1000km. Nossa entrada no Brasil foi na fronteira de tríplice cidade: Bernardo de Irigoyen na Argentina, Barracão - Paraná e Dionísio Cerqueira - Santa Catarina.
Paramos em uma Bodega do lado Argentino, carregamos a camionete de vinhos e espumantes e partimos em direção a Pato Branco - União da Vitória - Mafra - Serra Dona Francisca - Joinville e São Francisco do Sul - Prainha.
A Petrollera, por incrível que pareça, foi valente e chegamos bem. Chegamos a noite fomos recebidos pelos amigos da Prainha com uma bela festa, com muita carne regada a cerveja, vinhos e espumante.
Comemoramos a chegada, agradecemos a proteção e festamos... bastante!
Como é bom viajar!!!
Ah! Já está em processo de planejamento a próxima viagem, que será o término dessa até Quito, com uma esticada até Cartagena das Índias - Colômbia, ou seja: Maringá (ou Prainha - São Francisco do Sul) - Cartagena. Aproximadamente 9.100km de ida.