San Pedro de
Atacama foi ficando para trás. Saímos cedinho, pois teríamos que subir
novamente a quase 4.000m de altitude em direção ao Paso Jama. E o receio era o
carro esquentar novamente. Mas nada de ruim aconteceu e chegamos tranquilamente
na fronteira Chile-Argentina
Atualmente a
Aduana do Chile e da Argentina se juntaram em Paso Jama. Anteriormente a Aduana
Chilena ficava na cidade de San Pedro. Ficou bem melhor e mais ágil.
Fizemos uma
viagem bem tranquila até Purmamarca, uma simpática cidadezinha encravada na
Quebrada de Humauaca, onde seu atrativo principal é o Morro das Siete Colores.
Mas tem muito mais. É um ponto de parada obrigatório para quem vai para San
Pedro de Atacama.
Curiosidade – A Quebrada de Humauaca é
uma região da Argentina muito especial. Inclusive por sua beleza e aspectos
culturais é reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Dá-se o nome de “quebrada” aos locais onde a cordilheira encontra os vales dos
rios, formando uma transição entre áreas mais planas (vales dos rios) com as
áreas mais montanhosas e acidentadas. Nessa espetacular região encontra-se a turística
cidade de Tilcara, onde situa-se um importante sítio arqueológico de povos pré-colombianos
e pré-incaicos, o Pucará de Tilcara, além de outras atrações, como o Jardim
Botânico das Alturas, que possui uma coleção “in situ” de centenas de espécies
de cactos. Além de ser uma cidade muito bacana que atrai milhares de turistas
da Argentina, especialmente jovens, mochileiros e aventureiros de forma geral,
no local ocorreu um fato bastante interessante que, para nós brasileiros (e de
muitos outros países), tem uma torcida para que esse fato sempre permaneça
vivo. O caso é o seguinte: por ocasião de preparação da seleção argentina de
futebol para a Copa do Mundo do México em 1986 a cidade de Tilcara foi
escolhida para sediar a fase preparatória de treinamentos da seleção, uma vez
que ela possui características de clima (temperatura, umidade do ar...) e de altitude
semelhantes ao local que a Argentina iria jogar no México. Para os moradores
locais foi uma grande alegria e comemoração. Eles receberam a seleção com muita
festa, mas também com muita dedicação. Foram construídos centros de
treinamentos, academias, campos de futebol, enfim uma grande estrutura para que
a seleção argentina bem se preparasse para a copa. A cidade acolheu a seleção
de braços abertos e com muito fervor, característica que bem conhecemos dos “hermanos”,
em especial a grande paixão que eles nutrem pelo futebol. Pois bem, ficaram
várias semanas em treinamento intensivo e quando do retorno a Buenos Aires para
embarque ao México, foi realizada uma grande solenidade de despedida com uma
missa especialmente evocada para abençoar a seleção e os jogadores. Nesse dia,
diante da Virgem de Copacabana Del Abra de Punta Corral, mais conhecida como
Virgem de Tilcara, foi feita a promessa: se a seleção argentina fosse campeã do
mundo ela retornaria a Tilcara para agradecer a bênção e comemorar com os
moradores locais a grande conquista. E Eles foram campões. E eles não voltaram para agradecer a Virgem de Tilcara. E assim foi estabelecida a Maldição de Tilcara, que reza: “enquanto a seleção argentina não voltar a Tilcara para agradecer a bênção recebida, não será nunca mais campeã mundial”. Pelo que estou sabendo, até ontem eles não tinham ido. A Copa do Mundo do Brasil está chegando. Saldemos a Virgem de Tilcara, afinal é uma forte candidata e concorrente ao título que está fora de combate. Agora sim, fora de combate no “tapetão”!!... aquele, que vai da porta da igreja até o altar principal onde repousa placidamente a imagem da Nossa, Querida, Maravilhosa, Santa e Adorada Virgem de Tilcara.
Oremos!!
Muito bem,
depois de orarmos e agradecermos a Virgem pela Maldição partimos (que coisa
heim?! Agradecer alguém por uma maldição!!!! Mas sem problemas, o Superior da
Virgem compreende perfeitamente. Dizem, até, que foi Ele quem sugeriu a punição!).
Nossa meta agora
era chegar a Los Frentones (640km), local de parada estratégica descoberto pelo
nosso amigo Giovanni Branco, que agora nos acompanhava com sua moto BMW e nos
fazia sentir protegidos. Nesse lugar, no meio do Chaco Argentino, tem uma
simpática pousada do Professor, que recebe a todos com uma saborosa parrillada.
Descansamos e no
outro dia cedinho partimos em direção a San Ignacio (660 km), cidade que abriga
as ruínas da Redução Jesuítica de San Ignacio Mini, já tratado em postagem anterior
nesse blog (ver postagem de 12/12/2013 - Cataratas Paraguaia).
Lá tem um simpático hostel da rede do Hostelling International, que vale a pena
ficar. Econômico e bem estruturado.
Deu tempo de
tomar umas Quilmes, tomar um banho de piscina e fazer uma parrillada de
despedida, com bife de chorizo e vacío, que estavam um espetáculo. A noite na
cidade tinha um desfile de carnaval que foi muito bacana, parecendo até os
carnavais brasileiros.
Ainda tensos com
o problema do veículo, noutro dia saímos cedo, pois a ideia era chegar ao fim
da viagem: Prainha - São Francisco do Sul - SC, percorrendo mais de 1000km.
Nossa entrada no Brasil foi na fronteira de tríplice cidade: Bernardo de
Irigoyen na Argentina, Barracão - Paraná e Dionísio Cerqueira - Santa Catarina.
Paramos em uma
Bodega do lado Argentino, carregamos a camionete de vinhos e espumantes e
partimos em direção a Pato Branco - União da Vitória - Mafra - Serra Dona
Francisca - Joinville e São Francisco do Sul - Prainha.
A Petrollera,
por incrível que pareça, foi valente e chegamos bem. Chegamos a noite fomos
recebidos pelos amigos da Prainha com uma bela festa, com muita carne regada a
cerveja, vinhos e espumante.
Comemoramos a
chegada, agradecemos a proteção e festamos... bastante!
Como é bom
viajar!!!
Ah! Já está em
processo de planejamento a próxima viagem, que será o término dessa até Quito, com
uma esticada até Cartagena das Índias - Colômbia, ou seja: Maringá (ou Prainha
- São Francisco do Sul) - Cartagena. Aproximadamente 9.100km de ida.